Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

terça-feira, 20 de junho de 2017

Futebol de Mesa: arte, terapia e divertimento na vida de Caio Lopes

Botões para Sempre teve a honra de conhecer mais um colecionador do BEM. Nesta entrevista exclusiva ao blog, o santista Caio Lopes, 42 anos, engenheiro eletricista e residente em Itajubá, no sul de Minas Gerais, nos conta sobre sua eterna paixão pelo nosso 'velho' futebol de botão. Sua coleção é composta por cerca de 150 times, muitos originais e preservados em suas caixinhas, até, pasmem, com a etiqueta da data de compra!
O botonista sente recordações de infância, das lojinhas de esportes que se deparava com prateleiras lotadas dos Brianezi, sobretudo, em Santos, onde residiu por muito tempo. Neto de calabreses e santista fanático, Caio joga campeonatos de forma 'solitária' e com amigos.
Os campeonatos de Botões para Sempre o contagiaram e revela de forma contundente: "Infelizmente, em muitos casos, os preços de botões antigos que encontramos na net são absurdos. Estou fechado, com você, meu caro Bucci, nessa cruzada contra todos estes exploradores". Por fim, vamos conhecer também o lado do fabricante Caio, que compra de forma honesta lentes originais de fabricantes, especialmente do Sr. Armando, da Jucrake (da marca Crakes) e se diverte com os times que são gerados, motivado pela pesquisa da história das equipes, dos seus escudos e uniformes.
por Ricardo Bucci, jornalista MTB 28.445
Coleção repleta dos famosos Brianezi
Placas de publicidade, iluminação, um verdadeiro estádio feito com carinho e maestria. Parabéns, Caio!
O querido 'Papão da Curuzu' produzido pelo próprio colecionador 
Reparem a etiqueta com a data na embalagem dos Brianezi. Relíquia total. A curiosidade é que este Ceará foi comprado no mesmo dia de aniversário do botonista Caio Lopes.
O Vovô do Nordeste, da Brianezi, com escudos em 'decalcomania', os mesmos das primeiras edições.
Botões semi-flexíveis, feitos durante apenas três anos, difíceis de serem achados, entre 1987-1989
O francês Saint-Étienne
O grande Milan de Van Basten, adquirido na mesma época do atacante holandês
O glorioso Dínamo de Kiev, o gigante esquadrão do Leste!
1- Botões para Sempre: De onde surgiu a paixão pelo futmesa?
Caio Lopes: Devo essa paixão ao meu Tio Sílvio Jr. Durante a infância, ele me apresentou os primeiros times e me ensinou as regras. Isso no final dos anos 70. Jogávamos em mesas improvisadas. Era uma delícia. Depois meu irmão foi contaminado pelo vírus do Futebol de Botão.

2- BPS: Quais foram os primeiros times que aportaram em sua casa?
CL: Sou santista fanático. Lembro muito bem quando fui a Vila Belmiro pela primeira vez, levado por meu falecido e saudoso avô. Ganhamos do Joinville por 2 a 0. De certa forma, minha paixão alvinegra foi contaminada e surgiram dois times do Peixe. Um destes era em celulóide flexível que meu tio me presenteou, que, até hoje, não sei o seu fabricante. Não me lembro como, porém tinha alguns outros da Brianezi daquela fase com as 'duas faixas' laterais, confeccionados em acetato de celulóide que a fábrica importava do Japão. Eram Londrina/PR, Internacional/RS e a seleção de Portugal. Cometi a heresia de desmanchá-los e montar outras agremiações. Uma curiosidade é que admirava mais os times feitos com apenas 'escudo e número' do que os de 'carinhas', por exemplo. Também tenho recordações de dois exemplares da fábrica do Itaim Bibi, a Sportec, com apenas uma faixinha que eram o Porto-POR e Nothingham Forest - ING (bicampeão da Champions League de 78-79 e 79-80) e que o saudoso Guilherme Biscasse da antiga marca CRAK´S também o produziu.
O Santos de celulóide flexível. Caio, como te disse, existiam fabricantes que eram verdadeiros artesãos dos botões, até antes dos Brianezi. Luiz Gonçalves, que tinha loja numa galeria da 24 de maio, foi um dos percursores no estilo 'tampa' de relógio, entre outros até que desconhecemos por completo. Este exemplar do Santos mede exatos 46mm, qualquer informação é válida para descobrirmos o fabricante do alvinegro praiano de Caio Lopes.
Os botões Crakes recém-chegados para sua coleção. Vieram de Campinas, da fábrica Crakes, que Caio compra diretamente com o Sr. Armando, diretor da Jucrake.

 3- BPS: Você pratica o esporte ou apenas coleciona?
CL: Atualmente conto com cerca de 150 times e seleções de marcas como Brianezi, Champion/USA Sports, CRAK´S, os novos Crakes de Campinas, Ki-Gol, dos filhos do Guilherme, Dallas e outros feitos artesanalmente pelo Luciano dos Botões Clássicos e do Futebol de Botão Retrô. A coleção inclui alguns exemplares argolados (Edú Botões). Gosto tanto de colecionar e jogar campeonatos, tanto sozinho ou com amigos também.
Zenit, da Rússia, do Futebol de Botão Retrô

4- BPS: Qual a marca preferida de todos os tempos, em sua visão?
CL: Sem dúvida foi a Brianezi, o clássico dos clássicos! Mas gosto muito de outros fabricantes que viraram seus concorrentes, de certa forma, como a antiga CRAK`S, depois com os Crakes (da empresa Jucrake) e Ki-Gol.
O argentino Rosário Central da Brianezi e os raros Ki-Gol do interior do Paraná: União Bandeirante e Pato Branco
Os Ki-Gol, da fabrica Futmesagol, atualmente tocado pelo filho do Guilherme, Lennon Biscasse, que começaram em 1989. A antiga Crak´s, da mesma firma, começou bem antes, um pouco depois da Brianezi, na primeira metade dos anos 70, criada pelo saudoso Guilherme que foi um dos maiores botonistas brasileiros.
5- BPS: Você faz e monta os botões também?
CL: Quando voltei a jogar o futmesa, após um segundo hiato, comecei a pesquisar fabricantes e tutoriais. Aos poucos e com a ajuda de outros botonistas, dei início a montagem de meus próprios times e me divirto muito. Seja pesquisando a histórias das equipes, seus emblemas antigos e atuais e os diversos uniformes.
A dupla de Campina Grande/PB: o Treze e o Campinense feitos com a arte de Caio Lopes
 6- BPS: Quais times de botões que considera os mais marcantes de sua coleção?
CL: Gosto muito do Santos FC com o 'escudo e número' (preto), o Brasil de Pelotas/RS (primeiro time que montei), além da seleção da Dinamarca (Crak´s) e do Milan da terceira edição da Brianezi, com faixas para cima e para baixo. Comprei muitos desses modelos entre 1988-89. Também adoro a seleção de Másters do Brasil, da Crak´s.
7- BPS: Sobre os atuais preços do mercado de antiguidades de botões antigos, o que você acha?
CL: Infelizmente, em muitos casos, os preços são um verdadeiro absurdo. Estou fechado com você nessa cruzada contra os exploradores!

8- BPS: Suas considerações finais.
CL: Um fato interessante ocorreu em 1988, quando cursava a oitava série. Estava mais jogando botão do que estudando...Aí meu pai preventivamente confiscou minha coleção até eu recuperar as notas (rs). Em 1990, no dia da abertura do Mundial da Copa da Itália, comprei uma mesa oficial Brianezi. Enquanto assistia Camarões surpreender a então campeã de 86, a Argentina, jogava botão com amigos na sala de casa. Bons tempos! Como informação atual, hoje tenho uma mesa oficial feita pela Edú Botões.

Nota de Botões para Sempre
Caio, muito obrigado pela generosidade de conceder esta brilhante entrevista, respondida com muita sinceridade, humildade e um coração fraterno. Pode ter certeza que priorizo isso, em primeiro lugar está o caráter do ser humano. Quem se acha DEUS nesse mundo, seja no botão ou em figurinha, esqueça, que aqui não terá espaço mais. Sua história tem muitas semelhanças com a minha. Durante o ginásio, curtíamos o futmesa comprando vários jogos ao lado do Eldorado da Rua Pamplona. Eram pilhas expostas de Brianezi, também do fim dos anos 80, diria mais precisamente em 1989, quando Lúcio Brianezi optou por tirar todas as faixas e inserir a arte de camisa dos clubes. Outra curiosidade diz respeito sobre a mesa Brianezi, a primeira que surgiu em casa foi justamente também em julho de 1989, tenho até anotado o dia (19) em uma folha avulsa que guardo dentro de um caderno antigo de anotações botonísticas que preservo desde criança.
Por fim, Caio, muito obrigado pelos times que ganharei recentemente do amigo, em breve no blog vamos mostrar as histórias de mais um time clássico italiano, que mesmo apesar de estar afastado muito tempo da série A, tem uma história brilhante e de um time nordestino que, quando era criança, tinha um carinho todo especial, por causa de minha camisa antiga. Vamos que vamos, até breve com seus times que entrarão para a coleção de Botões para Sempre!
Muito obrigado, um abraço fraterno, que DEUS te ilumine sempre e sua família,
De coração, Bucci

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