Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Corinthians raríssimo cor branca - Canoinhas 'carinhas' - Estrela 1963


Em pé: Valmir, Oreco, Aldo, Amaro, Eduardo e Ari Clemente   –    Agachados: Marcos, Manoelzinho, Nei, Bazani e Lima

MANOELZINHO: artilheiro no Flamengo e no Corinthians


Manoel José Dias nasceu dia 25 de janeiro de 1940, na cidade de Montes Claros – MG. Foi um dos jogadores com média de gols mais alta da história do Corinthians. Brilhou também no Flamengo nos anos 50, aliás foi um dos pouquíssimos jogadores que vieram do Mengão e deu certo no alvinegro de Parque São Jorge. Começou sua carreira no Ateneu, de Minas Gerais, passou pelo Flamengo, Corinthians e chegou à Seleção Brasileira Juvenil. Quando chegou ao Parque São Jorge, pegou um período difícil na equipe alvinegra, que não ganhava um título desde 1954. O meia-atacante fez parte da equipe corintiana que ganhou o apelido de “Faz-me rir”, que era o título de uma canção romântica da cantora Edith Veiga.

                Aquele time corintiano, que contava com Gilmar dos Santos Neves no gol, das onze primeiras partidas que disputou pelo Campeonato Paulista de 1961, venceu duas, empatou duas e perdeu sete, foi realmente uma época que o torcedor corintiano quer esquecer, pois era alvo de muitas gozações por parte dos outros torcedores, mesmo tendo jogadores bons na equipe, como era o caso de Gilmar, Ari Clemente, Rafael, Joaquinzinho, Oreco e outros.

FLAMENGO

                Manoelzinho começou jogando no Ateneu, da cidade de Montes Claros, sua cidade natal. Ao final de um jogo entre Ateneu e Cassimiro contra o Flamengo, o treinador (o saudoso paraguaio Fleitas Solich) foi à casa do jogador e pegou a autorização do seu pai. Ele nem sabia assinar. Morava na roça e tacou o dedão. Aí, Manel (apelido dado pelos amigos) foi embora e ficou sumido, os familiares não tiveram mais notícias do garoto. Sua estréia com a camisa rubro-negra da Gávea aconteceu dia 11 de maio de 1958, quando o Flamengo fez um amistoso contra a Seleção Brasileira no Maracanã e venceu por 1 a 0, com gol de Manoelzinho, que à época fazia parte da categoria júnior do time da Gávea.
Ou seja, não poderia fazer uma estréia melhor.

               Este jogo foi um amistoso que a nossa seleção fez em preparação para a Copa do Mundo disputada na Suécia naquele ano. Oficialmente, foi um jogo-treino, mas Flamengo e seleção brasileira entraram no gramado do Maracanã vestindo seus uniformes oficiais e diante de pequeno público, que deixou uma arrecadação de Cr$ 511.615,00 nas bilheterias. E, após dois tempos de 35 minutos, o clube da Gávea levou a melhor: bateu o Brasil considerado titular por 1 a 0. Dez dias depois, a seleção fez outro amistoso contra o Corinthians no Pacaembu e desta vez venceu por 5 a 0.

               Foi neste jogo que o zagueiro corintiano Ari Clemente deu uma entrada violenta em Pelé que o tirou da partida e também as duas primeiras que a nossa seleção fez no mundial. Ao sair de campo, Pelé fez um juramento de que o Corinthians só iria ser campeão depois que ele parasse de jogar futebol. E não deu outra. Pelé parou dia 1 de outubro de 1977 e o Corinthians só ficou campeão dia 13 de outubro de 1977.

               Manoelzinho jogou no Flamengo de 1958 até 1962 e nesse período jogou com grandes jogadores, como por exemplo, Joubert, Jadir, Carlinhos, Gerson, Henrique Frade, Moacir e tantos outros. Ao todo foram 48 partidas, sendo 36 vitórias, 8 empates e 4 derrotas, marcou 33 gols. Pelo Mengão sagrou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1961 e outros Torneios em que o Flamengo disputou. Durante esse período chegou a defender nossa seleção pelo Pré Olímpico em 1959, onde fez duas partidas. A primeira foi no dia 20 de dezembro, quando perdemos para a Colômbia por 2 a 0 e a segunda foi no dia 27 de dezembro, também contra a Colômbia, mas desta vez vencemos por 7 a 1, com três gols de Manoelzinho.

               Uma das últimas partidas de Manoelzinho com a camisa do Flamengo aconteceu dia 25 de fevereiro de 1961, quando o Corinthians fazia a inauguração dos refletores do Estádio Alfredo Schurig. O convidado do time alvinegro foi o Flamengo. Neste dia o técnico Fleitas Solich mandou a campo os seguintes jogadores; Ari (Fernando), Joubert, Jordan, Bolero e Nelsinho; Carlinhos (Santana) e Gerson (Manoelzinho); Luiz Carlos (Moacir), Henrique, Dida Babá. Em noite inspirada, o time alvinegro ganhou de 7×2, com dois árbitros apitando a partida, João Etzel Filho no primeiro tempo, e Armando Marques, na etapa complementar.

               Neste dia o Corinthians jogou com; Cabeção, Walmir, Olavo, Ari Clemente e Oreco; Benedito e Rafael; Bataglia (Felício), Joaquinzinho, Miranda (Zague) e Neves. Os gols corintianos foram marcados por Neves (2), Felício, Bataglia, Miranda, Rafael e Joaquinzinho. Para os cariocas marcaram Gerson e Dida. O time do Flamengo não jogou bem, porem Manoelzinho chamou a atenção dos dirigentes corintianos e ali mesmo começaram as negociações e depois de alguns meses já estava jogando pela equipe de Parque São Jorge.

CORINTHIANS

               Manoelzinho foi um dos poucos jogadores que na época vieram do Flamengo e que acabaram vingando no Timão. O ponta-direita Espanhol, também conhecido como Iriarte, e os atacantes Beirute e Adílson foram grandes fiascos. O meia-atacante chegou a atuar na equipe de aspirantes do Corinthians ao lado de Rivelino, que se tornaria um dos maiores jogadores da história do alvinegro do Parque São Jorge. Sua estréia na equipe de cima aconteceu dia 16 de agosto de 1961 e não foi uma boa estréia pois neste dia o Corinthians perdeu para o Santos por 5 a 1, gols de Pépe (3), Pelé e Coutinho para o Peixe, enquanto que Joaquinzinho marcou o único tento corintiano. Neste dia o técnico Martim Francisco do Corinthians mandou a campo os seguintes jogadores; Gilmar, Jaime, Raul Simões, Ari Clemente e Oreco; Da Silva e Rafael; Joaquinzinho, Manoelzinho, Beirute e Gelson.

               Jogando pelo Corinthians, Manoelzinho tem boas recordações, pois fez grandes partidas, como aquela do dia 7 de setembro de 1962, quando o alvinegro goleou a Ferroviária por 7 a 1, sendo que quatro gols foram seus. Marcou também contra o Santos, quando o Timão venceu por 3 a 1, mas como foi pela Taça São Paulo, o tabu em Campeonato Paulista não foi quebrado. Sua última partida pelo Corinthians aconteceu dia 18 de agosto de 1965, quando o alvinegro venceu o Botafogo de Ribeirão Preto por 2 a 0, gols de Geraldo José e Flávio.

               O jogo foi válido pelo Campeonato Paulista e neste dia o técnico Osvaldo Brandão mandou a campo a seguinte escalação; Heitor, Galhardo, Eduardo, Clóvis e Edson; Dino Sani e Rivelino; Geraldo José, Flávio, Manoelzinho e Gilson Porto. Este jogo foi no Parque São Jorge o árbitro da partida foi Airton Vieira de Moraes, o popular Sansão.  Com a camisa do Corinthians, Manoelzinho disputou 111 partidas, sendo 61 vitórias, 30 empates e 20 derrotas. Marcou 57 gols, o que é considerado uma boa média, uma das mais altas da história do Corinthians.

TRISTEZA

               Manoelzinho teve problemas com a família em São Paulo, largou tudo (inclusive um açougue que tinha) e voltou para Montes Claros. Ele jogou no Ateneu e participou de outros times amadores. Foi também auxiliar técnico do clube do bairro de São José. Depois foi pintor de paredes. Em 2003 Manoelzinho foi vítima de um coágulo no cérebro, descoberto após um desmaio. Perdeu a memória e morreu no final do mês de maio de 2004. Ele morava com familiares em Montes Claros, cidade na qual nasceu, e não tinha movimento no lado direito do corpo, o que lhe obrigava a usar uma cadeira de rodas.

               Na cidade mineira de Montes Claros, Manoelzinho chegou a ser homenageado várias vezes, merecidamente. Ele recebeu, inclusive, uma comenda de atleta exemplar do Século XX de Montes Claros, dado pela Câmara Municipal da cidade. Irreverente, “Manoel” colecionou amigos dentro e fora dos gramados, dentre eles Garrincha, com quem costumava frequentar grandes festas no Rio de Janeiro.

CURIOSIDADE

               Essa é uma história contada por um jovem cujo pai era corintiano doente e trabalhava na Polícia Militar de São Paulo. Certo dia ele foi escalado para trabalhar na Vila Belmiro naquele serviço em que os soldados ficam de costas para o campo só olhando para a torcida. O jogo era Corinthians x Santos, imaginem a aflição daquele pobre soldado querendo assistir o jogo do seu time do coração e ter que ficar de costas para o campo. Este jogo aconteceu dia 21 de junho de 1962. O árbitro Anacleto Pietrobon apita o início do jogo.

               Logo aos 9 minutos Silva faz 1 a 0 para o Corinthians, festa na arquibancada e o soldado ali sem poder dar ao menos um ar de comemoração, apenas uma olhadinha bem rápida para o campo. Mas o Santos empatou aos 20 através de Lima e foi aquela tristeza para aquele soldado, que nem quis olhar para o campo. Aos 44 minutos, Rafael fez 2 a 1 para o Corinthians e o soldado abriu aquele sorriso largo de satisfação. Fim do primeiro tempo e fim da agonia daquele pobre soldado. Mal começou a segunda etapa e logo aos 4 minutos Dorval empata novamente a partida. Para piorar a situação daquele homem, Zoca (irmão de Pelé) faz 3 a 2 para o Peixe. A agonia tomava conta daquele soldado.

               O tempo vai passando e nada do Corinthians empatar a partida, mas aos 45 minutos, no último lance da partida, Manoelzinho faz o terceiro gol corintiano, tudo igual no placar, 3 a 3. Ah o soldado que tanto sofreu, não resistiu e soltou aquele grito GOOOOOOOOOOOL. Naquele momento ele esqueceu da farda, do coldre, do distintivo no peito…esqueceu de tudo e sem sombra de dúvida, gritou, comemorando o gol do time que ele tanto amava e que por ele tudo faria.

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