Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

domingo, 14 de maio de 2017

Forza Napoli! Storia D´Amore e di Follia - 1980´s

Botões para Sempre traz orgulhosamente nesse dia tão especial de nossas amadas Mães, o querido e imortal Napoli. Alguns podem achar que eu até exagero em minhas postagens saudosistas, mas deixei para esse "Dia das 'Mães", colocar e deixar aqui registrado um pouco desta 'squadra' tão apaixonada na 'velha bota'. Uma das torcidas que, seguramente, mais crescem na Itália, e detém uma legião de fãs no Brasil (na qual me incluo), principalmente em São Paulo, terra de muitos 'oriundis' napolitanos que vieram durante a Primeira Guerra Mundial e se espalharam por muitos bairros da capital paulista como Mooca, da tradicional doceria Di Cunto, Brás (que minha avó passou boa parte), Bom Retiro (bairro de muitos praticantes do futebol, pois lá nasceu uma eterna amizade entre os saudosos Mário Travaglini, ex-treinador de futebol e meu saudoso avô Bucci), Santana (que meu pai passou a infância), enfim.
Fica aqui minha simples e singela homenagem ao time de coração de meu saudoso avô Oswaldo Bucci que era filho de molisianos, uma pequena região montanhosa acima da Campânia, também no Sul da 'Bota'. Homenagem também a minha saudosa avó Maria, napolitana, que veio no navio junto com os pais Francesco e Giuseppina, no começo do século XX. Torcedora ferrenha do Napoli, eu sempre perguntava a ela: 'Vó, que time a senhora torce'? E ela respondia alto e falando com as mãos, típico dos napolitanos: "Napoli!!!!!!!!!!!, bello!". Meu bisavô por parte de avó paterna, Carmine, também aportou no Brasil vindo do Porto de Nápoles, fugindo da guerra e da fome na Itália.
Enfim. Carrego o sangue napolitano nas veias, tenho um coração grandioso do tamanho da paixão dos napolitanos pelo Calcio, entretanto, não pisem no 'calo' de 'napolitanos' e de seus 'oriundis' rs...Não deixo barato para 'picareta 171 e atravessador de jogos de botões', a verdade tem que ser dita SEMPRE, já que neste país tem de monte, San Genaro! como tem! 
O mais importante: dedico essa postagem a minha mãe, filha de napolitanos, e aos meus avôs/bisa que eram originários da Terra do Vesúvio. E ao saudoso torcedor do Napoli, Giovanni Bruno, o mais respeitado chef de cozinha que nosso país já teve, que todos os domingos abrilhantava nossas tardes com os comentários maravilhosos do Calcio Italiano, ao lado do jornalista Sílvio Lancellotti.
Um agradecimento especial ao amigo Badolato, verdadeiro Mestre do colecionismo, e antigo fabricante de botões dos anos 80. Aliás, foi Badolato, que me presenteou esse time original feito por Guilherme Biscasse (in-memorian) nos anos 80, quando este comandava a fábrica de botões oficiais CRAK´S. Muito obrigado, de coração.

'VEDERE NAPOLI E POI MORIRE'

Fantasia, improvisação, desordem. Sol, mar e canções. Emigração, saudade, separação. Cada uma dessas palavras define Nápoles, umas das três maiores cidades italianas, com um pouco mais de 1 milhão de habitantes. A capital da Campânia, no sul da bota, é um mundo à parte e fascinante.
O napolitano é mais chegado a uma boa conversa do que a uma briga, embora quando converse pareça estar sempre 'brigando'. A constante troca de povos que habitou a antiga região não foi suficiente para descaracterizar Nápoles. Ao contrário. Serviu para acentuar seus traços de independência, de jogo de cintura. O napolitano assimilou um pouco de cada um e deu em um tipo espirituoso, que fez de cada situação uma canzonetta: "O´Sole Mio, Funiculi, funiculá, Torna a Surriento, Core´ngrato, Santa Lucia são músicas que identificam a Itália em qualquer local do mundo. Sem falar de Pepino de Capri e suas belas canções. Mas tudo isso identifica Nápoles, uma cidade que tem seu charme nos becos escuros dos Quartieri Spagnoli ou nos gestos largos de seus habitantes, na TERRA da PIZZA e no SPAGHETTI ao Sugo, sem falarmos das roupas penduradas nos varais. Nápoles também tem o vulcão Vesúvio, seu eterno senhor, e São Genaro, o infalível protetor.
 "Carrego comigo a Força, a Grandeza de Nápoles e seu Povo. Uma cidade Vibrante, Humana e Amorosa"
Sophia Loren, natural da comune de Pozzuoli/Campânia
A Terra da Pizza
Nápoles é famosa pelas suas músicas cantadas no melodioso dialeto napolitano, pela TARANTELLA, pela Pulcinella (uma máscara teatral), mas também por seus monumentos deixados pelos povos que a conquistaram ou reflexos da modernização pela qual passou a cidade no decorrer dos séculos.
Famosa pelos seus presépios, muito supersticiosa (recordista em jogos lotéricos), é a Terra da Pizza, especialmente a Napolitana. Em 1500, Portugal descobriu o Brasil e Nápoles descobriu a pizza. Em 1889, o pizzaiolo napolitano Raffaele Sposito serviu a rainha da Itália, Margherita, esposa de Vittorio Emanuele II, com uma pizza de sabor revolucionário. Ele adicionou a 'VELHA REDONDA', um pouco de manjericão e fatias de muçarela (nova grafia portuguesa de 2009), ou na língua italiana mesmo 'Mozzarella'! E batizou de Margherita a nova pizza, simbolizando as três cores da bandeira italiana (verde, vermelho e branco). Obviamente os calzones, os sofogliatelli, massa folhada recheada com ricota e laranja, a Pastiera di Grano, os Struffoli, o docinho Baba, uma espécie de bolo com calda. E, para beber, o licor de limão Limon Cello.
BOTÕES PARA SEMPRE APRESENTA:
NAPOLI DOS ANOS 80 FEITO POR UM DOS MAIORES BOTONISTAS QUE O PAÍS JÁ TEVE, O SAUDOSO GUILHERME BISCASSE, QUE TANTO LUTOU PELA POPULARIZAÇÃO DE NOSSO ESPORTE.  
fonte de fotos e texto: Guia Papaiz/Itália, site Quattrotratti, Livro Giovanni Bruno 'Aos nossos momentos', Revista Guerin Sportivo - Maio de 1987
Os antigos Botões CRAK´S
O saudoso fabricante de botões, Guilherme Biscasse, produziu dezenas de times italianos no auge do Calcio Italiano na TV Brasileira. Times grandes, pequenos e raros faziam a festa dos botonistas, sobretudo, na segunda metade dos anos 80. Parabéns para a família Biscasse, que hoje mantêm a marca Ki-Gol, no estilo 'tampa'. Os antigos botões Crak´s apareceram e rivalizaram com os Brianezi nos anos 70 e começo dos 80. Numa primeira edição montavam os times em celulóides flexíveis um pouco mais pesados que os Brianezi. A diferença era no número MAIOR, típico, faixas vazadas, para diferenciar da concorrente. Na segunda edição ainda mantiveram as duas faixas e os decalques, que dava um charme especial à mesa.
Homenagem a minha família
Meu bisavô materno, Francesco, com sua esposa Giuseppina, vindos da pequena Comuni di Boscotrecase/na província de Napoli. Inicialmente aqui desembarcaram em Americana, interior de SP, que ainda era chamada de 'Vila Americana'. Começaram a trabalhar com lavouras de café e, posteriormente, com frutas no Mercado Municipal em São Paulo.
A pequena Boscotrecase com apenas 10 mil habitantes, na província de Nápoles, terra de minha avó/bisavó/bisavô por parte materna.

Por parte de Pai....
Meu bisavô por parte de avó paterna, Carmine, com sua esposa Anna, no começo do século XX. Também com saudades de sua terra, Nápoles.
Meu bisavô Bucci, por parte de pai: o construtor italiano, Angelo Bernardo Bucci, que ajudou a CONSTRUIR A SANTA CASA MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO. Nasceu em 09 de abril de 1886, em Sessano del Molise que fica, aproximadamente, 40 minutos de Nápoles.
Um dos inúmeros castelos (Foto: Castelo Nuovo) erguidos na Terra da Pizza

A 'squadra'
O futebol chegou a cidade de Nápoles no início do século XX, por marinheiros. Fundado em 1926, entre os seus títulos mais importantes, o Napoli detém 1 Copa UEFA, 2 campeonatos italianos, 5 Copas da Itália e 2 Supercopas italianas.
Logo atual
A evolução dos escudos
1981-82
1989-90
Trio com Giordano, Careca e Maradona
Dois gênios da bola
1970-71 com Zoffi e o ítalo-brasileiro Altafini
1980-81
Quantas alegrias e jogos fantásticos de Maradona no auge do Calcio, nos anos 80
Forza!
Outro trio de ferro, com Careca, Maradona e Alemão
89-90
1969
1978
1987-88
1984-85
San Paolo, a casa do Napoli. Inaugurado em 1959.
Foi palco da Copa de 1990.
Lembro-me que meu amigo saudoso Giovanni Bruno comentava sempre comigo:
"BUCCI, A ITÁLIA NUNCA DEVERIA TER JOGADO EM NAPOLI AQUELA PARTIDA CONTRA A ARGENTINA".
Mais um pouco deste belíssimo estádio.
San Genaro: o padroeiro de Nápoles e bispo de Benevento, martirizado em 305

Fico aqui com as palavras finais do Mestre Giovanni Bruno (in-memorian):
 "ERA UMA VEZ UM SONHO DE UM MENINO...
SEJA UM HERÓI: AJUDE A CONSTRUIR QUEM PRECISA; VIVERÁ COM MAIS INTENSIDADE OS BELOS MOMENTOS DA VIDA"
'AMICI MIEI, VOI SIETE LE MIE STELLE, 
CON AFFETTO',
GIOVANNI BRUNO.
Um brinde à vida. "Aos nossos momentos". Saudades...

2 comentários:

  1. Ricardo, o Napoli também tem minha torcida. Já tive o time de botão, a camisa original da fase Maradona e desde 2014 tenho réplica.

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  2. Muito bonita essa homenagem ao Napoli e ao povo napolitano, Mestre RB !!!

    Me simpatizo muito também com o Napoli e a cidade de Nápoles, principalmente depois daquele grandioso time dos anos 80 !!!

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