Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Entrevista: José Mauro Barros

Uma paixão que vem da infância

Botões para Sempre preparou uma entrevista com o colecionador e botonista, José Mauro Barros, que desde pequeno carrega nas veias a arte de colecionar botões, sobretudo os clássicos e saudosos Brianezi. Nascido em Niterói (RJ) e torcedor apaixonado pelo Flamengo, o economista de 43 anos de idade, apelidado pelos amigos de 'Zeca', reside em Washington, no Distrito de Colúmbia, EUA. Confira a entrevista que ele concedeu exclusivamente ao blog.

Por Ricardo Bucci

                                          José Mauro Barros e sua filha Daniela

Botões para Sempre: Como começou a paixão em colecionar botões? Você foi influenciado por alguém?
JMB - O botonismo surgiu em minha vida mais precisamente em 1977, aos seis anos de idade. Tudo começou na simpática São Lourenço, em Minas Gerais. Fui à casa de um primo que na ocasião jogava uma partida de futebol de botão com outro primo mais distante. Na mesa vi pela primeira vez as pequenas miniaturas do Flamengo e Cruzeiro. A marca dos botões era a Brianezi. O cenário não poderia ser outro: fiquei fascinado com as traves de madeira, rede e a bolinha de lã. Eu possuía apenas alguns times de plástico, traves também de plástico, disco ao invés de bola, e um Estrelão. Voltei para o Rio de Janeiro com meus pais e a partir daí sempre pedia times da Brianezi de presente de aniversário e no Natal.

Botões para Sempre: Qual foi o primeiro time que você teve em sua coleção?
JMB - Os primeiros times foram quatro Bolagols que ganhei por volta dos cinco, seis anos de idade: Flamengo, Fluminense, Botafogo e America. O primeiro Brianezi apareceu em minha casa no ano seguinte. Era uma seleção da Suíça, com apenas arte em símbolo e número, pintado de uma cor só.

A seleção da Suíça da Brianezi da primeira fase, que compreende a primeira metade dos anos 70: primeiro Brianezi adquirido pelo colecionador José Mauro

Botões para Sempre: Quais são seus botões de marcas que você mais curte?
JMB - Meus botões são quase todos da Brianezi. O modelo 'duas faixas' impera na minha coleção, mas tenho alguns da primeira fase que eram os meus favoritos, pois não 'empenavam' tanto quanto aos botões da segunda fase. De outras marcas, tenho apenas um México feito na última leva de produção da antiga 'Crak´s' (que hoje mudou de nome para 'Crakes') e mais recentemente comprei alguns times da BFA Store e fiquei muito impressionado com a qualidade dos botões.

 As seleções da Brianezi têm um agrado especial na coleção de José Mauro. Muitos torneios de Copa do Mundo foram jogados com estes botões

Austrália com escudo usado no período da Copa de 1974: uma relíquia

XV de Jaú, Juventus, Botafogo (SP), Francana, Colônia, Comercial (SP), Ferroviária, São Bento e América (SP). Os dois últimos feitos no período compreendido entre 1987-1989, com resquícios dos modelos com faixas. O material já não era de celulóide importado, mas sim, de acetato de plástico, semi-flexível, com escudo ainda resistente, que saía em 'água', e também ótimos para se jogar na mesa 

Botões para Sempre: Você apenas guarda os times de recordação ou joga campeonatos com eles?
JMB - Meus times tem alta quilometragem. Cresci no Rio ao redor de mesas de botão, jogando e curtindo este esporte com vários amigos. Guardo em minha lembrança partidas épicas de botão. Muitas Copas do Mundo, campeonatos como Eurocopa, Brasileirões, Campeonato Carioca e Paulista faziam parte de todo este contexto. Recordo que tinha uma mesa da Brianezi, daquela que apresentava uma quadra de basquete do outro lado, com alambrados de alumínio e cavaletes vermelhos. Como era a mesa preferida dos amigos, grande parte parte dos campeonatos era lá em casa. Bem, voltei a jogar recentemente em 2012. Desde então, já foram quatro Copas do Mundo com dois amigos diferentes. E, agora, estou jogando uma Copa do Brasil, com 96 times, com um terceiro amigo, que é colecionador de diferentes marcas de botão.


A extinta Iugoslávia, que segundo o colecionador, foi um dos primeiros modelos 'duas faixas' que apareceu em sua coleção

Botões para Sempre: Quantos times você possui da Brianezi, que era a marca pioneira dos botões oficiais.
JMB - Tenho 48 seleções. Daquele famoso catálogo 'verdinho', da segunda fase, feito no fim dos anos 70 e início dos 80, só nunca consegui o Equador. Tenho 63 times brasileiros, quase todos do modelo 'duas faixas'. No ano passado, comprei alguns exemplares de Brianezi das últimas fases. Mas são completamente diferentes, em termos de material e acabamento, dos que eu estava acostumado. Particularmente não conhecia os detalhes das últimas gerações da Brianezi, contudo tirei todas as minhas dúvidas no marcador "Brianezi Gerações", de seu blog. Assim consegui entender o material de cada botão produzido em determinada época.

Raridades em miniatura: times brasileiros feitos na fase áurea da fábrica Brianezi

Seleção de Porto Rico: só mesmo a Brianezi para produzi-lo

Seleção do Líbano: uma das seleções prediletas do colecionador


 A seleção do México da antiga Crak´s: comprada pelo colecionador no fim da década de 80

O Botafogo da Paraíba, no modelo 'duas faixas': segundo José Mauro, foi adquirido em sua coleção por volta de 1985 

A querida Ferroviária de Araraquara. Reparem na cor dos botões. A mesma tonalidade da camisa do clube no fim dos anos 70 e começo dos 80. Um luxo que ainda brilha na coleção

Botões para Sempre: Onde você comprava seus times?
JMB - Os primeiros Brianezi foram comprados com minha mãe em uma loja de brinquedos chamada 'Dom Pixote'. Ficava na Rua Santa Clara, em Copacabana. Mais tarde, quando já andava solto pelas ruas da 'Cidade Maravilhosa', os principais lugares para se encontrar tais relíquias eram a 'Sapasso Esportes', também em Copacabana, a 'Bayard', no Rio Sul, e uma loja de brinquedos de nome 'Passatempo', nos fundos de um Shopping Center no bairro do Leblon.

Olaria (RJ) da primeira fase: recordações de sua bela cidade

Botões para Sempre: O que você achou do encerramento da linha de produção da Brianezi?
JMB - Minha vida de botonista teve um hiato de 23 anos. Parei de jogar e comprar botões em meados de 1989. Como falei, voltei a jogar apenas em 2012, bem depois do fechamento da lendária fábrica. Como grande fã, lamento muito que tenham fechado, mas não me surpreende.

2 comentários:

  1. Ricardo, parabéns a José Mauro por ter e manter essa coleção sensacional.

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  2. Show de Bola. Diversos times e goleiros. Senti falta das palhetas coloridas.

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