Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

terça-feira, 26 de maio de 2015

Artigo Xico Sá: "Eu vi o Íbis ganhar um jogo"

Botões para Sempre traz um artigo do jornalista Xico Sá sobre o querido Íbis, além de mostrar a história do escudo do clube. Não deixem de apreciarem também reportagem que fiz com o amigo botonista de Recife, Armando Pordeus, sobre o extinto Santo Amaro. Em artigo, o jornalista esportivo Xico Sá, cearense radicado em Pernambuco, reconta o dia em que presenciou vitória do Íbis sobre o Náutico, em pleno estádio dos Aflitos
O jornalista Xico Sá presenciou vitória do Íbis em 2000, sobre o Náutico, em pleno estádio dos Aflitos. O placar marcou 1 a 0 para o Pássaro Preto. Resultado inesperado que fez a alegria dos quatro únicos torcedores rubro-negros na arquibancada
Sabe quando bate uma premonição futebolística? Tipo Chico Xavier soprando o placar no teu cangote? Foi assim que rolou naquela aprazível tarde de sábado, 25 de março de 2000. Tirei a nega da rede e fomos correndo ao estádio dos Aflitos, onde o poderoso Náutico Capibaribe enfrentaria o esquadrão do Íbis, tido e havido como o pior time profissional do mundo. Última rodada do 1º turno do Campeonato Pernambucano. Vestidos com o manto do Pássaro Preto, eu, a nega, o filho do presidente do Íbis e Seu Chico, então conhecido como único torcedor de verdade do time, adentramos o estádio da Rosa e Silva sob vaias e gozação da massa alvirrubra. Não era uma tarde qualquer, eu sentia o cheiro da desgraça no ar. Não é que o Íbis, naquela ocasião com uma camisa rubro-negra à Milan, resolve decepcionar os seus quatro torcedores presentes? Lentamente o garoto do placar, que devia estar dormindo àquela altura do 2º tempo, estampa: Náutico 0x1 Íbis.
Começamos a cornetar. E o Pássaro Preto – a mascote do time é uma homônima e agourenta ave egípcia – todo fechadinho lá atrás. Melhor que a retranca do Once Caldas. A nossa turma do amendoim prosseguia com a divertida cornetagem na tentativa de fazer o pior do mundo esquecer o gosto da vitória. Pelamordedeus, onde já se viu? O Íbis vencendo? Era o fim do mundo.
Nosso barulho era tanto que a torcida do Náutico começou a ficar irritada com a gozação. Eles também não acreditavam no que viam. O melhor é que o embate virou um jogaço. Seu Chico torcia a sério. Tem um nome a zelar como solitário torcedor das antigas. O filho do presidente, Ozir Ramos Júnior, se o espírito não me engana, também se empolgou. Desceu para o alambrado para tentar segurar, no grito e na marra.
Um silêncio sepulcral, como narravam os cronistas das antigas, ia tomando conta do estádio dos Aflitos. Perder para o Íbis seria o maior motivo de gozação que um torcedor já sofrera na vida. O sinal dos 45 do 2º tempo tomou conta de toda a cidade do Recife. Os doidos da Tamarineira, hospício ali da vizinhança, também não acreditavam no que ouviam: Náutico 0x1 Íbis. Nem os doidos do hospício da vizinhança acreditavam”.
Como repórter esportivo nos anos 80, eu testemunhara até treinos do Íbis, mas nunca havia visto o danado ganhar, nem mesmo do próprio time reserva. Passava jogos e mais jogos sem tirar o zero do placar. Na “comemoração” do cinquentenário do clube, em 1988, o slogan dizia tudo: “Íbis, 50 anos de derrotas”. Quando uma desavisada molecada cometeu a loucura de ganhar o campeonato de juvenis, dez anos depois, a diretoria cuidou rapidinho de vender a equipe inteira, sob o risco de perder o grande patrimônio de fracassos.
O juiz apita, depois de um épico acréscimo que durou uma guerra para o time do Íbis e os seus quatro torcedores. O garoto do placar não acredita no que vê, acha que dormiu no meio do jogo e esqueceu de marcar uma goleada do Náutico. Assim é se lhe parece: 0x1 para o visitante.
Irada, parte da torcida do Náutico nos cercou, mesmo sob a forte chuva. O encorajamento da cachaça corria nas veias e me fazia continuar com a gozação. Sob a proteção da PM, deixamos o estádio uma hora depois do jogo das nossas vidas. Para nossa sorte, o Íbis seguiu apanhando pelo resto do campeonato. Mais uma vez, foi o lanterninha daquele ano. Hoje na Segundona, o Ed Wood do futebol mantém a gloriosa escrita.
Fonte: Texto publicado na extinta Revista 10, na edição de julho de 2004.
O ex-atacante Mauro Shampoo, ídolo do Íbis só fez um gol em toda a carreira. Um histórico que orgulha a pequena torcida rubro-negra
Anos 1980: Íbis é o único time que se orgulha por derrotas mais do que pelas raras vitórias

A História do Escudo
Você sabia que o nome, o mascote, o escudo e as cores do Íbis Sport Club foram inspiradas no logo da Tecelagem Seda e Algodão de Pernambuco (TSAP)? Pois essa é a verdade sobre a origem da imagem do Íbis que conhecemos hoje. O clube foi fundado em 15 de novembro de 1938 para o entretenimento dos funcionários da TSAP. A Íbis Negra é um pássaro considerado sagrado pelos egípcios antigos, que acreditavam que o deus da sabedoria, chamado de Thot, tinha o corpo de um homem e a cabeça desta ave. Muitos ainda dizem que as cores rubro-negras são uma alusão ao Sport Club do Recife, porém isso não é verdade. A Tecelagem Seda e Algodão de Pernambuco já possuía essas cores muito ante do clube da praça da bandeira ser fundado, e foi na TSAP que os fundadores se inspiraram para dar as cores ao Pior do Mundo. Na imagem, você pode comparar o escudo do clube com o escudo da TSAP. Essas e outras histórias podem ser encontradas no livro “O Vôo do Pássaro Preto: A História do Pior Time do Mundo”, escrito por Israel Leal.

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