Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Celeste Olímpica, da Brianezi, é anfitriã da Copa do Mundo de Botão

O Mundo se rende ao futebol do Uruguai

Reportagem de Ricardo Bucci - Botões para Sempre

Botões para Sempre apresenta o país sede da Copa do Mundo (World Cup) de Futebol de Botão 2015: o Uruguai. Recentemente adquirida, a seleção da Brianezi 'duas faixas', feita pelos maiores mestres do futebol de botão do país (Paulo Brianezi e seu filho, Lúcio) foi escolhida para ser sede de mais um grande Mundial no gramado de 'Botões para Sempre'. O blog publica o time maravilhoso da Brianezi e momentos mágicos desta seleção, com uma fonte de pesquisa histórica, de uma bela enciclopédia de 1968, intitulada 'A História Ilustrada do Futebol Brasileiro'.
O Uruguai da Brianezi antiga foi escolhido para ser sede da Copa de 2015. Uma homenagem que faço ao país, muito motivada por dois fatores: o primeiro deles é que o Uruguai estava na disputa com a Argentina para ser o anfitrião da Copa. Como adquiri esta semana o time original 'duas faixas', o Uruguai teve mais peso na escolha, também influenciado pelo fato de ser o país que abrigou o primeiro Mundial de Futebol Profissional em 1930. Acima o estádio Centenário, em Montevidéu, no desfile das 13 seleções que participaram daquele evento. De quebra, o país levantou a primeira Taça na história das Copas!
Desfile das seleções. World Cup 1930
O belíssimo Brianezi 'duas faixas' produzido pela Brianezi, no período que muitos chamam de "A era de ouro"', fase mais romântica do futebol de botão oficial, que compreende 1977-1986. Nenhum botão quebrado ou trincado. Os botões em celulóide importado do Japão que a família Brianezi confeccionou deslizam de forma fantástica na mesa. Observei que o número 10 é o grande craque da equipe. Todas as cinco bolas testadas que foram para o gol foram encobertas facilmente. Craque!
A VERDADEIRA CELESTE OLÍMPICA DA BRIANEZI DE CELULÓIDE FLEXÍVEL, EM RARO NÚMERO PRETO, SEGUNDO O AMIGO JOSÉ MAURO, QUE MORA NOS EUA. "Combinação perfeita do uniforme da seleção", disse ele.
Este já é o exemplar mais antigo de 1972-76, de Paulo Brianezi, fundador da lendária fábrica de brinquedos e jogos.
Montevidéu preparou-se com uma dignidade olímpica para a I Copa do Mundo de Futebol. O país comemorava o Centenário de sua Independência, o povo vivia em festa, o futebol fazia parte de tudo aquilo. Um apoio oficial sem precedentes foi dado aos responsáveis pela organização do campeonato, a imprensa noticiava o fato com destaque, a expectativa, à medida que o mês de julho de 1930 se aproximava, crescia em toda a parte. Para receber solenemente as seleções visitantes, foi erguida uma gigantesca praça de esportes, o Estádio Centenário. 100 mil pessoas poderiam assistir a um jogo de futebol e gritar em coro pela Celeste Olímpica. Porque, ao lado de tudo aquilo, havia confiança na equipe da casa.
Apenas 13 países participaram do certame. Os europeus, pelas dificuldades que ofereciam uma travessia do Atlântico, não puderam comparecer em massa: presentes somente a França, a Bélgica e a Romênia. De qualquer forma, os sul-americanos prestigiaram a festa. No Brasil, um desentendimento entre cariocas e paulistas - estes não se conformando com o fato de a comissão técnica estar formada exclusivamente de elementos do Rio - tornou impossível armar uma seleção realmente representativa. Um grupo de cariocas e o paulista Arakén Patusca seguiram de navio para uma aventura no Prata.
O gigante Centenário

Seleção do Uruguai campeã dos Jogos Olímpicos de Paris, em 1924
Seleção do Uruguai campeã dos Jogos Olímpicos de Amsterdã, em 1928

A Celeste Olímpica

Sede de todos os jogos da primeira Copa do Mundo, em 1930, Montevidéu guarda um charme bastante nostálgico. Uma visita à capital do Uruguai é um constante trânsito entre o presente e o passado, uma viagem ao tempo em que a Celeste Olímpica, como é conhecida a seleção uruguaia, era a equipe mais temida do mundo no futebol. Quando a cidade abrigou o Mundial, o Uruguai acabara de conquistar o bicampeonato olímpico em Paris 1924 e Amsterdã 1928. Uma das razões que levaram a Fifa a escolher o Uruguai como sede da primeira Copa do Mundo foi a efeméride pelos 100 anos da Constituição do país em 1930. Para destacar a grandiosidade do evento, seria necessário construir uma arena de jogos à altura. Assim surgiu o Estádio Centenário.
Uruguai campeão da I Copa do Mundo, em 1930. Partida emocionante contra a Argentina, na grande final: 4 a 2. Ballesteros, Nazassi e Mascheroni, Andrade, Fernandes e Gestido, Dorado, Scarone, Castro, Cea e Iriarte eram os campeões do Mundo!
Uruguai, bicampeão Mundial em 1950
Tínhamos o maior estádio do mundo, a melhor seleção, o mais astuto técnico, o maior goleador, Ademir, e a mais entusiasmada torcida. Eram nesses termos que os jornais falavam da final com o Uruguai, justificando uma certeza que já agora se apoderava de todos. A 16 de julho, 200 mil pessoas, viram com os próprios olhos, exatamente como num passe de mágica. Uma partida dificílima, sem que o escore fosse aberto no primeiro tempo, e um gol de Friaça, logo no início do segundo, colocando a Taça em nossas mãos. Bastava-nos o empate, o que era muito pouco para uma equipe já habituada aos números elevados das goleadas. Porém, fibra e coração, talvez os maiores do mundo, levaram Schiaffino a empatar e logo depois Ghiggia a desempatar. O Uruguai - liderado pelo temperamental Obdúlio Varela - sagrava-se campeão do mundo. Por muitos e muitos anos, a decepção daquela derrota marcaria profundamente cada torcedor brasileiro. A Taça de Ouro, agora, parecia tão cobiçada quanto inatingível.
Fotos da finalíssima da Copa de 1950 - HOMENAGEM AO MEU AVÔ BUCCI
Homenagem ao meu saudoso avô paterno, Oswaldo Bucci, que na grande final de 1950 estava presente no Maracanã: Ele saiu de São Paulo diretamente para o Rio assistir aquela decisão histórica. Saudades de muitas histórias contadas por ele, naquela trágica final...

Seleção uruguaia campeã do mundo de 1950. Da esquerda para direita, de pé: Varela, Tejera, Gambetta, González, Máspoli e Andrade. Agachados: Ghiggia, Pérez, Míguez, Schiaffino e Morán. De pé, entre Varela e Tejera está o treinador Juan López Fontana.


Uruguai e Espanha, em 1950
Uruguai 1950. Arte de Moisés Correia, by 'Botões & Esquadrões'

A Antiga TAÇA RIO BRANCO

Brasil 2 x 0 Uruguai, Taça Rio Branco, estádio do Pacaembú, 1968. Foto de minha enciclopédia - 'A História Ilustrada do Futebol Brasileiro'. Acervo particular de Ricardo Bucci
1972: emblemático jogo de botão da seleção canarinho CBD feito pelo fundador da Brianezi, Paulo Brianezi (in-memorian)
Acervo de Ricardo Bucci, do 'Almanaque Esportivo 'Olympicus', 1943
Jogos entre Brasileiros e Uruguaios
As partidas entre brasileiros e uruguaios, tanto na melhor fama da Celeste Olímpica, como já numa época em que só temíamos os argentinos, sempre se caracterizaram pelo equilíbrio. Nunca se verificou, em toda a história da antiga Taça Rio Branco, uma vitória por margem superior a dois gols, registrando-se, porém, muitos empates. Disso nos esquecemos, certamente, ao levarmos tanto otimismo para a final da Copa do Mundo de 1950. E os uruguaios sempre respeitaram o futebol brasileiro.
Em 1940, quando a Taça Rio Branco foi disputada pela terceira vez, com duas partidas no Rio, o Uruguai venceu uma por 4 a 3 e obteve um empate de 1 a 1 na segunda. Os mesmos resultados acusaram os jogos de 1946, em Montevidéu. Um ano depois, em São Paulo e no Rio, outro empate e novo triunfo brasileiro. As alternativas se sucediam, ora um, ora outro, Brasil e Uruguai, sem definirem qual dos dois era de fato, o melhor. Em 1948, novamente no Estádio Centenário, mais um empate e uma vitória uruguaia. Inclusive em 1950, ano da sétima disputa, nos meses que antecederam a Copa do Mundo, o equilíbrio persistiu. Os brasileiros já carregavam consigo uma confiança excessiva em relação ao título mundial, enquanto os uruguaios se preparavam em silêncio. A Taça Rio Branco daquele ano indicou duas vitórias para o Brasil e uma para o Uruguai, jogos realizados em SP e no RJ. Em 1967 - quando a competição foi revivida depois de dezessete anos de esquecimento - o equilíbrio foi mantido: 0 a 0, 2 a 2 e 1 a 1, em Montevidéu. Finalmente, em 1968, duas vitórias brasileiras, a primeira por 2 a 0, em São Paulo, a segunda por 4 a 0 no Rio, na única goleada da Taça. Em resumo, num total de 17 partidas, o Brasil venceu 7, o Uruguai levou a melhor em 4, completando-se com 6 empates.
Arte húngara - Copa de 1970
World Cup 1970
1966: com o saudoso Pedro Rocha
1970
1970
1974
1981: seleção campeã do Mundialito
Copa de 1986
Copa de 2014

Acervo: Ricardo Bucci - Botões para Sempre
Pesquisa: 'A História Ilustrada do Futebol Brasileiro', Edobrás, 1968
 A Enciclopédia, em 04 volumes

Um comentário:

  1. Ricardo, o Uruguai já teve escudo estilo Nacional sem contar o que vi no post. Foi publicado na Placar em 1998.

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