Copa de 1982

Copa de 1982
Lembranças da Copa do Mundo de 1982: veja o artigo que escrevi sobre o melhor mundial de todos os tempos

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Colecionismo no Brasil: Um processo em evolução

Voltei a colecionar botões no fim de 2010, motivado por um sério problema de saúde que tive. Hoje já se vão quase 06 anos colecionando jogos de botões antigos. No começo era só empolgação. Não via os preços, ia comprando. Hoje a realidade mudou. Graças a Deus, já fazem sete meses que a ficha caiu. Atualmente vivo o momento mais feliz, mais maduro, digamos assim, mais leve, sem pressa, colecionando e adquirindo peças com preços acessíveis. E não é que nesses últimos meses consegui uma maior quantidade (quase 50 times) e qualidade de botões (todos antigos, muitos em caixas, como os da Sportec) e até dos anos 50, de 1958, da Estrela. Fiz a conta. Juntei todos estes preços de lotes recentes e, pasmem, não daria para pagar 'um exemplar de um jogo de botão inflacionado e perverso'. A pergunta que eu faço é a seguinte: se os vendedores conseguem adquirir por preços justos e acessíveis toda essa 'quinquilharia' e 'sucata' de objetos antigos, sejam eles bonecos e bonecas, carrinhos em miniatura, selos, moedas, tampinhas de garrafa, autorama, botões, por que eu, sendo amante do colecionismo, também não posso?
Acompanhe abaixo os principais trechos do PERFEITO artigo escrito por um colega jornalista, pesquisador e colaborador de uma Revista em Quadrinhos, que também é colecionador. Se você se enquadra no item 'colecionadores mais experientes', parabéns e continue assim, sempre. 

Colecionismo no Brasil: um processo em evolução
Artigo escrito por Eder Pegoraro
Do blog 'Sala de Justiça'
É certo que o segmento do colecionismo de toys e afins no Brasil ainda está engatinhando em comparação aos EUA e outros países de 1º Mundo, mas vejo também como um hobby emergente. Em contraponto, de um lado temos uma postura completamente retrógrada por parte de quem deveria ter maior interesse, muitos fabricantes e distribuidores do ramo. Uma grande parcela ainda vê seu principal público alvo consumidor nas crianças, não acordaram para explorar o público colecionador que consome seus produtos todos os meses do ano, e não somente em esporádicas ocasiões e datas específicas. De outro lado temos uma parcela de colecionadores que atuam de forma ainda imatura.
Temos os colecionadores mais experientes e maduros, que cultuam o hobby de forma séria mas não obsessiva, sabem ter paciência e esperar as melhores oportunidades para adquirir seus itens mais desejados, sabem o quanto de seu orçamento podem destinar ao hobby sem comprometer suas despesas e compromissos pessoais mais importantes, sabem encarar o hobby como diversão e não obrigação. Para um colecionador de verdade, eu creio que o maior valor de um item de sua coleção é o seu valor histórico, na conotação nostálgica e afetiva no item em si e o que o mesmo representa para sua história pessoal, e não no valor monetário da peça. O valor monetário é mero detalhe que determina quanto e se a peça pode ser adquirida ou não.
Temos também os colecionadores acumuladores, muitos que não fazem ideia do que tem em seus acervos pessoais, ao ponto de comprar peças em duplicata por 'esquecer' que já as possuíam. Seu prazer está na quantidade e não na qualidade. Compram figuras de personagens que nem conhecem, ou as vezes nem gostam tanto, HQs que nunca leram, filmes que demoram anos para ver...Pois o objetivo principal é "completar" as supostas coleções. Independente da importância individual no conteúdo das mesmas.
Temos também os colecionadores compulsivos, esses são os famosos compradores compulsivos, que, como em qualquer bem de consumo, estão também entre os consumidores de toys e afins. Seu prazer está somente no ato da compra, na aquisição do item. Após isso, o item em si é quase peso morto para a pessoa. Que corre atrás da próxima compra, e da próxima, e assim por diante. Até chegar ao ponto de ter uma coleção completa ou quase completa e vender tudo, e começar do zero outra coleção. Esse caso já é patológico e precisa de ajuda profissional, o problema é que na maioria das vezes a pessoa não reconhece isso como um problema, e justifica para si próprio e outros através do argumento que é um "colecionador". 
No meio disso tudo, temos os ATRAVESSADORES, ou como dizemos na gíria do meio, os "Scalpers". Aqueles que aprenderam a tirar proveito dos obsessivos e acumuladores, que precisam completar as suas coleções a todo custo, e dos incontroláveis compulsivos, que precisam comprar determinado item antes que acabe. Com isso, todos são prejudicados. Todos os colecionadores, sejam experientes, iniciantes, acumuladores ou compulsivos, não importa, todos perdem e só os espertos 'Scalpers' ganham.
Peças muitas vezes não tão raras acabam sendo inflacionadas demais em seus valores, a quantidade das mesmas distribuídas é razoável e até suficiente para suprir a demanda dos que as querem, mas uma parcela grande acaba nas mãos dos tais ATRAVESSADORES, que é claro, vão tirar proveito da ansiedade de muitos para faturar um lucro significativo. No geral, as maiores dificuldades de cultuar um hobby de colecionar toys e afins, é causada pelos próprios colecionadores. Isso não é de hoje, já acontece há anos. Mas com o crescimento e popularidade maior do hobby, difundido amplamente nos tempos atuais pela Internet, as dificuldades crescem na mesma proporção.

Os Atravessadores - 'Scalpers'
Segundo o jornalista, os atravessadores costumam pagar preços justos e, às vezes, até baixos, em determinadas peças, mas abusam demais na margem de lucro se aproveitando da ingenuidade ou impaciência de alguns colecionadores. Para Eder Pegoraro, a única forma de combater essa prática "É NÃO COMPRANDO" desses atravessadores. Mesmo que você tenha o dinheiro sobrando e queira determinada peça, se o preço estiver acima da média de itens similares ou da mesma coleção, NÃO COMPRE. Se comprar, você só estará incentivando essa prática e amanhã a vítima poderá ser você.

Dicas do jornalista
O valor que alguém pede por um item, nem sempre é o que o item realmente vale, por isso é interessante sempre o colecionador realmente conhecer o item que deseja, se realmente o valor pedido condiz com a realidade, se trata-se de algo realmente raro. Pois se há quem abusa em valores pedidos, é porque há quem aceita pagar tais valores. Uma vez que não existam compradores interessados, as opções do vendedor são duas, ou reduzir para um preço justo e condizente, ou ficar com o mesmo encalhado.
A gente recebe o que dá. O ato de colecionar objetos já é por sua natureza algo egoísta mesmo, afinal colecionamos o que gostamos para nós mesmos. Mas, é possível tirar coisas positivas do hobby, principalmente consolidando amizades. É perfeitamente natural como em qualquer segmento social encontrarmos pessoas boas e más no meio do colecionismo, os generosos e os egoístas, os justos e os oportunistas, os honestos e os invejosos. Mas a maneira como nos portamos acaba agregando ou afastando naturalmente com que convivemos. Quem ajuda, compartilha e doa, seja conhecimento ou bens materiais sempre ganha na mesma proporção. E quem só pensa em si e no que pode ganhar, termina só, como uma grande coleção de amigos de plástico e de veículos em miniatura que não levam a parte alguma. O valor de uma pessoa está no que ela é...Não no que ela tem!

2 comentários:

  1. Ricardo, todo brinquedo antigo conservado vale muito. Imagine 1 time de botão inteiro. O São Bento da Canindé só como exemplo.

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  2. Daniel, isto também eu pensava, até meados de 2015. Porém, a verdade veio à tona. Grande parte dos brinquedos antigos é conseguido por valores 'de banana' e tido como 'sucata'. Cansei de pagar preço abusivo. Tenho todo o direito de conseguir, como venho conseguindo, preços acessíveis e justos.

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